O Inusitado veio me visitar hoje e trouxe notícias de aventuras. Ele disse que tínhamos a missão de encontrar o sentido para a caminhada por uma estrada incerta, missão por mim aceita ainda que sem saber os motivos que levariam um homem a caminhar na noite escura. Seguimos pela estrada e fomos capturados pelo Rei Melquisedeque, que nos enviou para suas masmorras em Melniboné, onde travamos uma verdadeira batalha homérica para escaparmos ilesos das grades que nos aprisionavam.

Conseguimos ainda resgatar a Princesa Le Fay das garras do Dragão, que foi empalado pela bainoneta roubada de um soldado inglês a serviço da Coroa Britânica na Planície de Mecong. Depois de devolver a Princesa à segurança de seu reino, seguimos de moto até a América Central no rastro de um cavaleiro andante de nome Moa, o Magro, que viajava sempre na companhia de um sábio de nome Sheldon. Não os encontramos, mas vislumbramos encantos e passamos por enormes perigos enquanto a luz do sol era ofuscada por uma pedra preciosa de nome Sorriso Sylviviano. Sem perda de tempo abandonamos nossas motos e a bordo de um falcão alado rumamos para a estrela norte que nos havia chamado para participar do Grande Conselho Nórdico, no qual falamos a respeito do fogo e da água, sendo expulsos do abrigo da luz estelar depois de beber toda a cerveja de uma taberna e fazer corar as faces das mais experientes concumbinas. De volta à Terra encontramos os arquivos secretos de Wolf Saban, aos quais preferimos deixar em seu esconderijo para poupar a humanidade da descoberta de que a verdadeira sabedoria ainda não havia sido conhecida. Luzes Gabrielinas e Cesarinas nos guiaram pela noite escura até encontrarmos o caminho de volta para casa, passando por estradas repletas de flores Michelinas e Alinídeas, as quais colhíamos ao longo do caminho para perfumar nossos pensamentos já fatigados pela longa jornada, até o momento em que o Inusitado tornou-se Loucura e me conduziu de volta pela estrada até aquele castelo onde ficaram os abraços reconfortantes da princesa.

Nos portões do castelo a Loucura revelou sua verdadeira face e na face me beijou. Fechei os olhos não acreditando que a própria Senhora da Justiça Curyana havia me conduzido ao longo dessa jornada, mas era verdade e ali estava eu diante da bela e imponente figura Ferdinanda. Ao cumprimentá-la, segui para dentro do pátio onde um enorme cavaleiro de armadura Vitoriana lutava sozinho contra todo um exército. Tomei seu partido, mas por ele fui empurrado para a escadaria com a ordem de encontrar a princesa. Subi as escadas que estendiam-se intermináveis até o topo de uma torre da qual poderia ver a vastidão da terra e do mar e no ar pairava a figura bela da Princesa, que apenas olhou para trás, acenou e disse que por muito tempo esperara e agora já era tarde e teria de voltar para seu verdadeiro lar: o Etéreo. Sozinho na torre fiquei até ouvir um eco de vozes e passos escada abaixo e em alguns minutos mais vi claramente que ali estavam todos vocês malucos que não têm coisa melhor a fazer a não ser fazer dessa comuna a experiência mais louca e divertida que já tive nesse tal de Orkut!

 

Cássio Sesana, algum dia em outubro de 2005.

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