Ainda sofrendo da total falta de assunto para escrever, voltamos com a série de posts sobre o líquido sagrado, abençoado por Deus (pelos deuses pagãos, e também pelos frades durante seu período de jejum), a Cerveja. A princípio, o post seria sobre cerveja Schwarzbier, mas serei um pouco mais abrangente, falando sobre o estilo Dark Lager. Portanto, para vocês que estão nos lendo na Acadêmicos do Pink Floyd, ou na Taberna dos Bardos, sentem-se, peguem seu mug, encham com uma Eisenbahn Dunkel, e aproveitem o texto.

Falando um pouco de história, as cervejas Lagers surgiram no fim do século XIV, início do século XV. Até este período, as cervejas utilizavam leveduras de fermentação de superfície (Ale). Com o advento das leveduras de fermentação de fundo, aliado ao processo de armazenamento em cavernas frias (Lager, em alemão), surgiram as cervejas do estilo Lager. Assim como as Ale, as cervejas Lager eram escuras. Lager claras surgiram apenas no final do século XIX, com o advento das cervejas Pilsen.

Pegadinha de cervejarias: Você sabia que as populares cervejas Pilsen brasileiras são na verdade Standard American Lager? Para ser considerada uma Pilsen, a cerveja deve ser a mais próxima possível do estilo original, o Bohemian Pilsner.

Falando sobre os tipos, existem 3 que se encaixam dentro do estilo Dark Lager: Dark American Lager, Munich Dunkel e Schwarzbier (ou Black Beer).

  • Dark American Lager: Abrange uma grande lista de cervejas Lager, mais escuras e menos amargas que as Pilsen. Podem conter adjuntos, como milho ou arroz, por exemplo, tornando-as mais secas, e/ou corante caramelo, tornando-as mais escura. Aroma de malte pouco percebido, pode ser levemente frutada. Cor variando do âmbar-profundo ao marrom-escuro com reflexos rubi. Pouco encorpada, bastante carbonatada, de espuma pouco persistente. Exemplos: Heineken Dark Lager, Bohemia Escura.

  • Munich Dunkel: Surgiu com o advento do estilo Lager, e se tornou muito popular até o surgimento das Pilsen. Dunkel significa “escura” em alemão, e identifica o estilo clássico da cerveja Lager escura, maltada, espumante, com leve sabor torrado, produzida em Munique. Sua produção é considerada uma arte, devido à dificuldade de acertar o ponto da torrefação do grão. O aroma apresenta a doçura natural do malte, com toques de caramelo, chocolate, nozes ou toffe, e não é frutado. Coloração que vai do cobre intenso ao marrom-escuro. Carbonatação moderada e colarinho cremoso. A grande quantidade de malte utilizado lhes confere um sabor rico em malte, não tão intenso quanto o sabor das Bock, nem tão torrado quanto o das Schwarzbier. Exemplos: Paulaner Alt Münchner Dunkel, Eisenbahn Dunkel.

  • Schwarzbier: Schwarzbier quer dizer “cerveja preta” em alemão, embora sua cor seja marrom-escura. Bastante encorpada, com leve aroma de malte torrado, quase achocolatado ou cafeinado, sabor doce e, ao mesmo tempo, amargo. Esta cerveja está associada à região da Turíngia, na Alemanha. Comparada com a Munich Dunkel, é mais escura e mais seca. Comparada com as Porter e Stout, é mais refrescante com sabor menos torrado e menos amargo. Exemplos: Black Bavarian, Petra Schwarzbier.

Copos sugeridos para apreciar sua Dark Lager são Willybecher, Lager, Mug/Stein, Shaker, Americano, Stem e Pokal. Para se servir, o processo é o mesmo das cervejas Pilsen: copo em 45°, verter lentamente a cerveja até que se complete metade do volume do copo, depois complete com o copo em 90°.

Dark Lager combinam com amendoim, castanha de caju, amêndoas, casquinha de siri, acarajé (vejam só), salsicha aperitivo, codorna, peru, chester, linguiça de frango, massas em geral (exceto pizza), lombo de porco, lombo defumado, bife bovino, rosbife, salsicha de porco, atum, truta, peixe frito, lagosta, lula e sardinha. Infelizmente, não combina com nenhuma sobremesa.

E por hoje é só pessoal. Espero não demorar tanto para escrever novamente sobre este assunto tão prazeroso. Até mais!


Fontes:

  • Larousse da Cerveja
  • Wikipedia – pt.wikipedia.org e en.wikipedia.org
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