Por Vevila Rezende (http://cafecomrebu.tumblr.com)

Ontem à noite eu estive a 5 metros de distância de um dos maiores ídolos da minha vida.

Quando eu comecei a ouvir música de minha própria escolha, tinha que gravar em K7 os cds dos meus amigos. Peguei duas fitas e gravei um duplo do Led Zepellin, ainda sem entender o motivo daquela barulheira esculhambada me agradar tanto. Alguns (muitos) anos depois, entendo: eles eram o resumo do rock ‘n roll, uma coisa brutal, desavergonhada, sem modos.

Jimmy Page (aquele que o Rafa Dornelles insiste em dizer que é um guitarrista sujo que não tem respeito pelo seu instrumento), faz a guitarra mais bruta que eu conheço, e eu simplesmente não consigo deixar de comparar todos os solos de guitarra do mundo aos dele.

John Paul Jones, multinstrumentista violento, tecladista e baixista e chefe da cozinha mais fina e maravilhosa do mundo do rock. Eu acho uma pena ele ser tão injustiçado (ninguém lembra do cara que fica na cozinha, né? mas sem ele, não haveria tanto clima naquelas músicas).

John Bonham, uma das maiores sacanagens que o ceifador sinistro já fez nesse mundo foi tirar você dele. Um baterista “caminhoneiro”, que tocava tão alto que devia doer e, sem ele, jamais haveria Led Zepellin e tantas outras bandas cujas cozinhas se inspiram na dele. São Bonham, do alto do céu do rock ‘n roll, rogai por nós.

Robert Plant. Uma bichona escandalosa metida em leggings vermelhas? Um band leader antipático? Um deus do sexo fazedor de groupie sushi? Eu não sei. Sei que eu queria ter vivido nos 60’s para, entre outras coisas, ter um poster dele no teto do meu quarto, como fazem as meninas com o, sei lá, Luan Santana. Ele é o vocalista. Não está mais tão jovem. Não alcança mais os mesmos agudos. Não rebola mais como antes, mas continua rei. A tal da divindade, talvez? E foi o mais perto que cheguei da banda que mais cultuo até hoje – juro, foi muito perto.

Eu não esperava um show do Led Zepellin. Sou feliz com a resignação de que isso não vai acontecer (verei o revival, se houver, mesmo que tenha que ir pra Patagônia a pé – mas mesmo um revival não seria o Led). Fui sem falsas expectativas, e Sir Plant me recebeu em roupas simples, com o mesmo corte de cabelo, agora branco pelo tempo. Eu fiquei tão extasiada que não consegui cantar nenhuma música. Só chorei quando cheguei em casa. Ontem à noite eu agradecia mentalmente a todas as pessoas que me apresentaram ao Led, que fez e faz parte da trilha sonora da minha vida.

Essa música, desconhecida por mim até ontem, me transportou para um tempo que eu não sei se vivi – mas suas marcas estão em mim, hoje. Talvez estejam desde sempre.

Obrigada, Robert Plant. Por alguma coisa que eu ainda nem sei.

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